A MTV, canal que marcou gerações, anunciou recentemente que vai sair do ar no Brasil.A decisão vinda da Paramount, foi justificada pela queda do público por TV por assinatura, além de questões relacionadas à publicidade.
Responsável por transmitir vários momentos históricos da música, como a estreia mundial do videoclipe “Thriller” de Michael Jackson, a saída da MTV do Brasil mostra uma mudança constante na forma de consumo das pessoas em relação ao universo da música e videoclipes. Continue lendo e saiba mais.
Sobre videoclipes e a nova cultura do pop
Com o avanço das plataformas digitais e sua presença constante na rotina das pessoas, os hábitos de consumo cultural se transformaram e alguns formatos clássicos ficaram para trás.
Um exemplo disso surgiu quando Anitta, ao receber o prêmio de Clipe TVZ do Ano em 2024, trouxe uma reflexão direta sobre o cenário atual da cultura pop durante seu discurso de agradecimento.
Em um mercado em que a atenção do público é cada vez mais fragmentada, os videoclipes perderam centralidade. Embora ainda tenham público, raramente concentram a atenção massiva que tiveram nas décadas anteriores, percepção resumida por Anitta ao afirmar que ‘ninguém mais assiste’.
Essa fala dialoga com reflexões presentes na resenha do livro Blank Space: A Cultural History of the Twenty-First Century, do crítico cultural W. David Marx, que analisa como a cultura pop contemporânea se tornou mais homogênea e orientada por métricas digitais, em detrimento da experimentação e da inovação.
A saída da MTV Brasil é apenas um dos reflexos desse novo panorama global de consumo musical, no qual a curadoria centralizada perde espaço para plataformas sob demanda, capazes de medir engajamento em tempo real e ajustar conteúdos de forma quase instantânea.
Vivemos um paradoxo em que a música está em todos os lugares, mas deixa poucos rastros duradouros. Hits surgem e desaparecem em questão de semanas, impulsionados por trends de TikTok ou playlists algorítmicas, sem necessariamente se fixarem no imaginário coletivo como acontecia na era dos videoclipes na TV.
Menos telas e novos hábitos de consumo musical
A saída da MTV Brasil evidencia a mudança nos hábitos de consumo de videoclipes, que hoje encontram mais força nas redes sociais e no YouTube. A música deixou de depender de um canal curatorial único e passou a circular de forma fragmentada, guiada por algoritmos e dinâmicas digitais.
Em contraponto a esse cenário de hiperconectividade,uma pesquisa nacional da VTrends, realizada por meio do hub de insights da Vivo, revela que 30% dos brasileiros têm como meta utilizar a tecnologia de forma mais equilibrada no próximo ano. Entre jovens de 18 a 24 anos, esse movimento é ainda mais expressivo: 35% dos entrevistados afirmam buscar uma relação mais moderada com o uso das telas.
O levantamento indica que, mesmo em um ecossistema musical cada vez mais digital, cresce o desejo por uma desconexão saudável. Esse comportamento abre espaço para repensar como a música é consumida, experienciada e valorizada, não apenas como conteúdo constante, mas como experiência que vai além do fluxo ininterrupto das plataformas.
Como o mercado da música precisa se reinventar para conquistar o público

Se nos anos 1990 um único clipe que estreou na MTV era capaz de definir a carreira de um artista, hoje o impacto está diluído entre múltiplas plataformas e formatos de curta duração.
Em outro momento da indústria musical, seria impensável que artistas como Beyoncé lançassem álbuns sem videoclipes oficiais ou que Lady Gaga, conhecida por produções grandiosas nos anos 2010, apostasse hoje em vídeos mais simples, gravados em uma única locação e com poucos figurinos.
Especialistas apontam que os videoclipes não desapareceram, mas perderam o protagonismo na divulgação musical. O investimento das gravadoras em grandes produções diminuiu, enquanto a multiplicação de plataformas fragmentou a atenção do público.
Hoje, com a lógica acelerada das redes, o público busca conteúdos mais ágeis, espontâneos e adaptados ao consumo mobile. Em um ambiente em que nenhum meio atinge as massas por completo, investir alto em um único vídeo deixou de ser regra.
A estratégia passou a ser volume, constância e adequação de formato: trechos de músicas pensados para reels, lançamentos fracionados, bastidores no TikTok e versões alternativas no YouTube.
O videoclipe, portanto, não é mais um produto isolado, mas parte de um ecossistema que inclui redes sociais, performances ao vivo, bastidores e experiências digitais. Mesmo com retorno financeiro questionável, ele segue relevante como ferramenta de storytelling e construção de identidade artística.
Essa lógica varia de mercado para mercado. Enquanto o k-pop mantém altos investimentos com retorno, no Brasil gêneros como o funk seguem usando o YouTube como porta de entrada. No pop, soluções criativas também ganham espaço: no álbum Rock Doido, Gaby Amarantos reuniu todas as faixas em um único vídeo em plano-sequência, reduzindo custos e ampliando o alcance do projeto.
Reinventar o mercado da música hoje significa entender que o clipe deixou de ser o propósito principal da comunicação. Ele é apenas um dos caminhos para criar relevância, engajamento e conexão real com um público cada vez mais disperso e exigente.
Nesse novo cenário, conquistar atenção exige estratégia sonora, narrativa e consistência de marca.
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A produção artística e seus personagens seguem mudando, mas nunca perdem seu potencial de impacto e conexão com o público.
Essas narrativas contadas podem ser aliadas à sua marca para construir a sua história e gerar pertencimento que aproxima e fideliza o público. Há mais de 20 anos transformamos ideias em música e música em resultado. Criamos experiências sonoras autênticas, atuamos de forma estratégica, combinando pesquisa, análise de mercado e compreensão profunda dos valores de cada marca.
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Crédito foto de capa: Radio Fance
Fontes: Billboard | Rolling Stone | Omelete| Terra| Veja| G1 | New York Times



