Será que o algoritmo acabou com a autenticidade?

set 17, 2026 | Playlists de tendências

A autenticidade é uma palavra que está voltando a ganhar destaque, com a ampla presença dos algoritmos ditando nosso consumo, responder a pergunta sobre o que gostamos tem se tornado mais difícil, mas será que o algoritmo é o responsável por tornar cada vez mais complicado definir o gosto pessoal? Continue a leitura e saiba mais.

Mas afinal, o que é “gosto”?

Aqui é interessante puxar uma referência do inglês, isso porque neste caso estamos falando da aplicação de “taste” e não do verbo “like”. Neste sentido de gosto, expressamos nossas preferências, que por sua vez são construídas a partir de nosso repertório, contexto, referências e experiências pessoais ao longo da vida.

Ele pode ser superficial, como preferir uma peça de roupa ao invés de outra, como também estar no cerne de nossas identidades. 

O gosto pessoal é o mais próximo que a maioria de nós chega da autoexpressão ou de um ato criativo. Podemos usá-lo para consolidar nossas identidades. Envolve compromisso e consistência e um certo grau de risco, pois envolve saber que as coisas de que você gosta não agradam a todos.

O impacto do algoritmo no gosto pessoal

A internet alterou radicalmente a forma como formamos nossas opiniões e crenças, afetando nossa capacidade de formar nossas próprias preferências. Antigamente experimentamos o mundo exterior por meio de uma combinação de comunidade, geografia, mídia de massa, éramos expostos a uma variedade de estilos, gêneros e ideias, decidíamos o que nos atraía e, então tentávamos consumir e interagir com essas coisas, mas o grau de intenção e esforço foi mudado radicalmente. Cada vez mais, nos deparamos com a maioria dos aspectos do mundo através de uma única lente: as plataformas de streaming e as redes sociais. Esses serviços são programados para exibir conteúdos específicos para cada indivíduo, com base em dados coletados de suas próprias atividades e das de outros usuários.

O algoritmo incentiva os humanos a produzir conteúdo genérico, enquanto a IA simplesmente gera conteúdo genérico imediatamente. Os algoritmos estão abandonando a pretensão de serem formadores de opinião digitais e nos apresentam conteúdos que apela maliciosamente aos nossos “instintos primitivos”, ou seja, eles usam todos os artifícios de roteiro específicos para te fisgar, criando conteúdos feitos sob medida para atrair olhares.

O objetivo das grandes empresas de tecnologia é por meio do controle do “bom gosto” tornar a automação e o conteúdo gerado por IA algo comum e sinônimo de qualidade.

Como o algoritmo impacta o gosto musical

O Spotify apresenta aos usuários músicas com semelhanças superficiais às faixas que eles não pularam da última vez. As plataformas fizeram da personalização uma parte essencial de seu modelo de negócio, para depois sintetizar, mercantilizar e automatizar o gosto individual até o seu completo esquecimento, ou seja, não escolhemos mais o que queremos consumir, aceitamos o que nos é oferecido.

Crédito: indra projects

O quarto episódio do podcast “Música em Sociedade” criado e apresentado pelo sócio da Gomus, Delano Amorim, traz exatamente esse debate em que o algoritmo transformou o ouvindo em um “sujeito de dados” e a música em uma ferramenta de produtividade, em detrimento do seu papel contemplativa e de sublimação, o debate ganha ainda mais profundidade com a participação do psicanalista e músico Gabriel Maia.

“Vivemos uma ilusão de infinitas opções, mas o nosso repertório está cada vez mais encurralado pelas recomendações uniformizadas, a IA surge prometendo matematizar toda nossa experiência transformando nossos gostos e afetos em dados binários, mas a música só faz sentido quando experimentada por um corpo, a máquina não dança, não sofre e não experimenta”, diz Delano durante o programa.

Como recuperar seu gosto pessoal

Inicialmente o primeiro passo seria abandonar as plataformas que funcionam por algoritmo, mas entendendo que isso não é muito viável na prática, muitas pessoas estão conseguindo driblar os efeitos negativos criando conteúdo de recomendações, oferecendo aos usuários opções que talvez eles nunca tivessem acesso por conta dos algoritmos.

O desenvolvimento do gosto pessoal exige um tipo de contemplação silenciosa e pensamento criativo que as grandes empresas de tecnologia estão ativamente desencorajando. 

Como o algoritmo pode estar afetando sua marca

Assim como o algoritmo afeta o gosto pessoal, ele também pode estar afetando a sua marca, criar produtos, serviços ou conteúdos genéricos, por exemplo, levar a viralização como guia para desenvolvimento de novos projetos ou focar no que entrega digitalmente e não se atentar ao comportamento no mundo real pode estar te levando a apenas ser e fazer o que os outros estão fazendo.

Mas a melhor forma de chamar a atenção dos seus clientes é se diferenciar. Em fevereiro, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, publicou no X que “o bom gosto é uma nova habilidade essencial”, sua ex-colega Krithika Shankarraman, também disse no ano passado que “o bom gosto se tornará um fator de diferenciação na era da IA”. A ideia é que o bom gosto seja a única qualidade humana que a inteligência artificial não conseguirá replicar, ou seja, se tornando uma “vantagem competitiva”.

Conte com a Gomus

O music branding é uma estratégia capaz de ajudar a criar uma identidade autêntica para sua marca, se afastando dos conteúdos genéricos, a curadoria musical é uma ferramenta essencial nesse processo, já que conta com a expertise da equipe de curadoria da Gomus, a curadoria humana leva em conta a emoção que deseja despertar no cliente, a personalidade da marca e a mensagem a ser transmitida, algo que a inteligência artificial não é capaz de copiar. Se você deseja saber como sua marca pode ser cada vez mais autêntica, estamos ansiosos para mergulhar no universo da sua empresa.

Crédito foto de capa: Cup of Couple

Fontes: The Guardian 

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