Não é novidade que os brasileiros são os melhores fãs, não somos nós que estamos falando, mas todos os artistas, sejam nacionais ou internacionais. Quando falamos do Brasil é difícil conseguirmos resumir sua identidade em uma só, pois há várias faces de um mesmo povo. Algumas pesquisas tentaram entender como se dá a relação entre os brasileiros e a música e nós trazemos alguns insights importantes para quem quer incluir o music branding em sua estratégia. Continue a leitura.
Quando tudo começou
O ser humano é, por natureza, um ser sonoro, como já conceituou Fernando Cespedes em seu Podcast com este mesmo nome. A nossa relação com o som vem desde nossa natureza biológica, ainda no ventre materno, e se estende por toda a nossa vida, enriquecido com nossas culturas e referências, além claro, da disponibilidade e possibilidades tecnológicas.
A música passou de algo ao vivo para algo que pode ser reproduzido pela tecnologia, expandindo o seu mercado, alterando seus contextos e transformando nossa relação com ela.
Dentre o rádio, TV, vinil, fitas e CD, a reprodução era relativamente limitada, estando o poder de decisão de reprodução e distribuição na indústria. Ainda somado a dificuldade de acesso, uma vez que era necessário comprar o meio físico ou estar num raio dentro da malha de transmissão para ter acesso às músicas distribuídas.
O jogo virou com o download de músicas. Em 1999, com o Napster, a indústria levou um tempo para se reorganizar, mas a revolução já tinha se consolidado, o poder agora estava nas mãos dos consumidores.
Após o Itunes já ter estruturado um pouco melhor a distribuição lícita de músicas, ainda era algo que limitava o volume de acesso. Com a chegada do Spotify no Brasil, em meados de 2014, o usuário agora tinha acesso ilimitado e a presença de música no dia a dia também escalou. Dados de 2023 afirmam que o brasileiro ouve em média 24,9 horas de música por semana, acima da média mundial de 20,7h.
Essa escala e acesso foram importantíssimos para o Brasil. A música atuando fortemente como ferramenta identitária, podemos notar a relação entre futebol e samba ou as periferias e o funk ou a agricultura e o sertanejo e o agropop. O país é ambíguo, ao mesmo tempo que enxergamos riqueza, também enxergamos pobreza, ao mesmo tempo que enxergamos diversidade, infelizmente também enxergamos o racismo, a relação entre o brasileiro e a música também funciona dessa forma, não é à toa que ouvimos em média de 10 gêneros musicais distintos.
A cultura traduzida em música
Os grupos minorizados transformam o Brasil em um país de todos com a ajuda da música, um exemplo disso é o aumento da celebração da cultura afro que envolve a imersão na cultura e música negra, uma forma encontrada para celebrar a negritude, festivais como o Afropunk e artistas como Emicida e Baco Exu do Blues vem fortalecendo ainda mais a cultura afro no Brasil.
A periferia se torna o centro com poder de influência aquecido, vemos marcas de luxo apostando em artistas periféricos para divulgar suas novas coleções, a população periférica dita tendência e dissemina sua potência. Na arte, na música e na moda, a cultura periférica revela seu potencial de exportação, o principal exemplo é Anitta, que surgiu nos bailes funks e atualmente ocupa o topo das paradas nacionais e internacionais.
O que o as marcas estão dizendo
O desejo do consumidor é se enxergar, cabe às marcas representá-los com narrativas próximas da sua realidade e a chave para isso é a consistência. As marcas entenderam que para conquistar o público brasileiro é preciso desapegar dos estereótipos, garantir alcance, mas também gerar afinidade com grupos específicos, elas estão buscando compreender os valores transversais dos diferentes grupos e ativá-los com uma abordagem autêntica, e a música é uma ótima ferramenta para isso.
Mais importante do que identificar as particularidades e a pluralidade dos consumidores é encontrar as especificidades mais potentes. Para criar conexões por meio da música, as marcas precisam estar presentes onde os consumidores estão, isso envolve eventos, redes sociais, streaming, só assim as marcas se tornam relevantes.
E as experiências?

Quando falamos de marcas e experiências, logo vem a nossa mente os festivais, pois além do line-up, as marcas também disputam a atenção do público, muitas delas disputam atenção diretamente com o concorrente. Não basta só estar presente nos festivais ou onde os consumidores estão, é preciso ser relevante, as ativações de marca não podem ser vistas apenas como ações promocionais, mas como ferramentas de narrativa.
Quando oferecem interatividade, ressoam de forma mais profunda, a experiência ganha quando há alinhamento com o espírito do festival e perde força quando a ação é percebida como invasiva ou desconectada, não se trata apenas de brindes, mas de conexões genuínas que podem ser feitas não apenas nos festivais, mas em pontos de venda da marca.
A ativação precisa ter propósito, dialogar com a cultura do público, hoje a relevância é sinônimo de storytelling, interatividade e experiências memoráveis, não apenas visibilidade. Além disso, o público não separa mais experiências físicas e digitais, postar, registrar, compartilhar e interagir faz parte, as ativações precisam funcionar bem em ambos os universos, prolongando a experiência online.
Segundo dados do relatório WGSN sobre o consumidor do futuro, as emoções serão o foco, a chave para entender seu consumidor e impulsionar a inovação nas empresas, o crescimento e o engajamento dos seus clientes. Por meio das emoções é possível influenciar como os clientes reagem à história, aos produtos e às experiências da sua marca, moldando suas decisões de compra e fidelizando-os.
Conheça a Gomus
Esses são apenas alguns insights após analisarmos diversos relatórios que envolvem marcas, consumidores, experiências e música. Para criar conexões é preciso entender seu público e estar onde ele está, o music branding não precisa de altos investimentos para gerar lembrança e conexão, tudo depende dos objetivos da sua marca.
Se você deseja entender melhor como aplicar o music branding em sua marca ou desenvolver uma experiência imersiva para seus consumidores, nossos especialistas podem te ajudar nessa missão após um mergulho no universo da sua empresa.
Estamos ansiosos para explorar todo o potencial da música em sua marca.
Crédito foto de capa: Freepik
Fontes: ICCI | Identidade Brasileira Contradições e Tendências 2023 | WGSN Consumidor do futuro 2027 | Nozy Reports



