Music branding: comprovando porque somos bons ouvintes 

jul 9, 2026 | Music Branding

Você já percebeu como algumas músicas conseguem nos transportar para um momento específico da vida em poucos segundos?

Às vezes basta ouvir os primeiros acordes para lembrar de uma viagem, uma pessoa ou uma fase inteira que parecia esquecida. 

Mas e se essa capacidade de criar lembranças também explicasse por que algumas marcas permanecem na nossa memória por tanto tempo? Talvez o ouvido esteja participando dessa história além do que imaginamos. Continue lendo este conteúdo para entender.

Música ativa nossa memória 

Uma canção pode mudar completamente a percepção de um ambiente, alterar nosso estado de espírito ou transformar uma experiência comum em algo memorável. Se isso acontece na vida das pessoas, por que seria diferente na relação com as marcas?

Isso acontece porque a música ajuda a contextualizar experiências. Ela cria uma espécie de “trilha” para aquilo que vivemos, facilitando a associação entre emoções, momentos e lembranças. Não é por acaso que determinadas músicas permanecem ligadas a acontecimentos importantes da nossa vida durante anos, mesmo quando deixamos de ouvi-las com frequência.

No contexto da publicidade, em vez de pensar a música apenas como um recurso criativo para campanhas pontuais, o music branding propõe uma construção estratégica da identidade sonora. Assim como uma marca define sua linguagem visual e verbal, ela também pode desenvolver uma assinatura musical coerente com a sua personalidade, seus valores e seu posicionamento.

Isso significa que o som deixa de aparecer apenas na publicidade e passa a acompanhar diferentes momentos da jornada do consumidor: vídeos, eventos, podcasts, aplicativos, redes sociais, ambientes físicos, experiências digitais e tantos outros pontos de contato.

O resultado é uma comunicação mais consistente. Afinal, quando todos esses elementos falam a mesma linguagem, a marca deixa de ser apenas reconhecida. Ela torna-se percebida.

Essa consistência contribui para que a marca seja reconhecida em diferentes contextos e plataformas. Mesmo quando o consumidor muda de canal ou de formato de interação, a identidade sonora funciona como um elemento de continuidade, reforçando a percepção de que todas aquelas experiências pertencem ao mesmo universo da marca.

Já tentou desligar a audição?

Vivemos dizendo que somos uma sociedade visual. Nunca produzimos tantas imagens nem passamos tanto tempo diante de telas. Ainda assim, segundo estudos da neurociência, nosso cérebro continua respondendo de maneira extraordinária aos estímulos sonoros.

A diferença é que podemos escolher para onde olhar, mas não desligamos a audição com a mesma facilidade. Mesmo quando estamos concentrados em outra tarefa, continuamos processando sons ao nosso redor. É um mecanismo natural do cérebro, que permanece atento ao ambiente de forma praticamente contínua.

É aí que o music branding encontra uma oportunidade que poucas estratégias conseguem explorar.

Outras pesquisas mostram que a música ativa regiões cerebrais ligadas à memória, às emoções e aos mecanismos de recompensa. Isso acontece porque o cérebro processa a música de forma distribuída, envolvendo diferentes áreas ao mesmo tempo. Como resultado, ela influencia não apenas o que sentimos no momento, mas também a forma como registramos e lembramos uma experiência.

Ou seja, em vez de estimular apenas a audição, ela também mobiliza circuitos relacionados às experiências vividas e às respostas emocionais. Em outras palavras, ela não funciona apenas como pano de fundo para uma mensagem. Ela faz parte da própria experiência.

Talvez por isso algumas marcas consigam despertar sensações muito específicas antes mesmo que percebamos racionalmente o que estamos ouvindo. 

Funciona mesmo quando não é reconhecida

Crédito: Cotton bro

Um estudo recente sobre branding sonoro da Revistas Académicas da Universidad de Concepción mostrou que 77,4% das pessoas consideram o áudio um elemento de alta importância na publicidade. Os participantes que atribuíam maior importância ao componente sonoro também avaliavam os anúncios de forma mais positiva. 

Mas talvez o dado mais curioso seja outro. A maioria dos entrevistados não conseguiu identificar corretamente a música nem o artista presentes nas campanhas analisadas. Ainda assim, foi capaz de associar emoções muito claras aos anúncios.

Enquanto uma marca despertava sentimentos como alegria e ternura, outra era percebida como mais inspiradora, nostálgica e tranquila.

Desta forma, a força da música não depende necessariamente do reconhecimento consciente. Ela está na capacidade de construir percepções emocionais, muitas vezes antes mesmo de percebermos que isso está acontecendo.

Talvez seja justamente por isso que tantas lembranças permanecem vivas durante anos sem que consigamos explicar exatamente de onde vieram. O cérebro não memoriza apenas informações. Ele memoriza experiências. E a música costuma ser uma das partes mais marcantes dessa experiência.

Muito além dos jingles

Durante muito tempo, falar de música nas marcas significava falar de jingles. Eles continuam relevantes em alguns contextos, mas representam apenas uma pequena parte do universo do music branding.

Hoje, uma identidade sonora pode ser construída por meio de assinaturas musicais, logotipos sonoros, playlists, trilhas, paisagens sonoras para ambientes físicos, experiências imersivas e diversos outros recursos.

Cada escolha sonora comunica algo. Ritmo, instrumentos, timbres, intensidade e estilo ajudam a transmitir atributos que dificilmente caberiam em uma frase. Algumas marcas querem soar inovadoras. Outras preferem transmitir acolhimento, sofisticação, energia ou tranquilidade.

Quando essa linguagem é consistente, a música deixa de acompanhar a marca. Ela passa a fazer parte dela. E talvez seja exatamente esse o diferencial em mercados cada vez mais parecidos visualmente.

Talvez a memória não seja tão visual como parece

Durante décadas, aprendemos que marcas fortes precisam ser vistas para serem lembradas. Essa afirmação continua verdadeira, mas talvez esteja incompleta.

As pesquisas mostram que também lembramos daquilo que ouvimos, sentimos e experimentamos. E poucas ferramentas conseguem reunir emoção, memória e consistência de forma tão natural quanto a música.

É por isso que o music branding vem deixando de ser um detalhe criativo para ocupar um lugar estratégico na construção de marcas mais relevantes.

Na Gomus, acreditamos que uma identidade sonora não nasce da escolha de uma playlist ou de uma trilha agradável. Ela nasce da estratégia, da compreensão profunda sobre a essência de cada marca e da capacidade de transformar som em significado. Entre em contato para mergulhar no universo do music branding. 

Crédito foto de capa: www.kaboompics.com

Fontes:

Bosshard S, Rodero E, Rodríguez-de-Dios I, Brickner J. Radio, Podcasts, and Music Streaming—An Electroencephalography and Physiological Analysis of Listeners’ Attitude, Attention, Memory, and Engagement. Brain Sciences. 2024 

Ramos-Rubio, P., & Bandeira-Duarte, J. (2025). Exploring audio branding and its impact on consumers: the case of Apple and Samsung. RAN – Revista Academia & Negocios, 11(1), 1-13

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