Como a música está sendo usado para conectar marcas com o público das favelas 

set 24, 2026 | Playlists de tendências

As favelas e periferias por muitos anos foram tratadas apenas como cenário, estética ou recorte pontual de uma campanha, isso ainda acontece, mas muito menos. As marcas entenderam que esses locais são territórios vivos, complexos, diversos e com enorme potência econômica, cultural e criativa. Continue a leitura e saiba como a música está sendo uma aliada para conectar marcas e o público das favelas.

Uma nova visão das marcas

As marcas entenderam que não é possível compreender um território apenas a partir de uma sala de reunião, é preciso ouvir quem mora ali, entender códigos locais, conhecer os hábitos de consumo, as barreiras de acessos, os afetos, as aspirações, tudo isso ajuda a criar uma relação duradoura com as favelas. Para o público o mais importante é a consistência, marcas que só aparecem em datas comemorativas ou em momentos de alta visibilidade dificilmente constroem vínculo verdadeiro, é preciso estar ali antes, durante e depois da campanha. Isso fica muito claro quando olhamos para a pesquisa sobre as marcas preferidas nas favelas, muitas delas não aparecem em outras listas, como é o caso das marcas Tigre e Omo, citadas pela maioria dos participantes.

Como a música se tornou porta-voz das marcas

A música dialoga com públicos jovens, conectados e conscientes, que buscam representatividade em tudo que consomem, a colaboração entre marcas e artistas sempre foi eficiente para posicionar um produto ou serviços, quando falamos da música periférica, ela expressa a realidade de milhões de brasileiros, marcas que utilizam a música estão também conectando histórias, identidades e valores, não é à toa que vemos cada vez mais marcas realizando esse tipo de parceria.

Mas é possível ir além, o funk brasileiro é o gênero nacional mais ouvido fora do país, ganhando espaço em álbuns de artistas internacionais e festivais no exterior. Com influências do funk norte-americano, o gênero trilhou um caminho difícil, devido à falta de receptividade, mas hoje já dialoga com muito mais do que apenas o público das favelas.

A seguir, confira alguns exemplos de marcas que utilizaram a música periférica para dialogar com o público.

Burger King e Mc Donald’s 

Para lançar seu novo sanduíche, o The Kings Cheese, o Burger King fez uma parceria com o “Coral das Quebradas”. Os MCs ficaram conhecidos pelo sucesso no TikTok ao apresentar músicas conhecidas a partir de um coral formado por “palmas”, o grupo utiliza a música como poder de transformação social. O fast food então convidou os MCs a rimarem trazendo os elementos do lançamento como parte da música, em menos de 6 horas depois da publicação o vídeo já tinha mais de 2 milhões de visualizações.

Seu concorrente Mc Donald’s, já tinha utilizado a música da periferia muito antes disso, em 2015, ao realizar uma extensão da linha Cheddar McMelt, foi criado o funk “Novinhos Cheddar”. 

Já em 2018, “Que Tasty Foi Esse” e “Cheddar Encaixa” foram feitas a partir das canções “Que Tiro Foi Esse”, de Jojo Todynho, e “Encaixa”, de MC Kevinho e Léo Santana.

Red Bull e Hariel 

Outra ação que fez muito sucesso recentemente foi a participação do funkeiro Hariel no primeiro evento do Red Bull Symphonic no Brasil, que entregou uma viagem pela história do funk paulista, acompanhado por uma orquestra com a regência de Xuxa Levy. 

O Red Bull Symphonic convida artistas contemporâneos a reinterpretar músicas a partir de um novo olhar, mostrando versatilidade e criatividade através de composições sinfônicas inéditas. O espetáculo misturou piano, violino, contrabaixo e metais às batidas do funk e às bases do DJ em uma construção musical única. Não foi apenas um show montado com foco nas favelas de São Paulo, todos os elementos foram pensados para transportar as pessoas até essa realidade, as instalações do palco foram inspiradas nas vielas das comunidades, especialmente de Heliópolis, em São Paulo.

Crédito: Red Bull

O repertório contou um pouco da história do funk paulista e resumiu a trajetória de Hariel, da Baixada Santistas à Zona Norte de São Paulo. O show contou com a participação de artistas como MC Davi, MC Don Juan, MC Marks, Tasha & Tracie e outros nomes da cena. O evento também contou com homenagens a alguns nomes históricos do funk paulista que já nos deixaram e um momento emocionante com Valquíria Nascimento, mãe de MC Kevin, que morreu em 2021.

Como sua marca pode utilizar a música para se conectar com esse público 

Há 20 anos, nós da Gomus, criamos trilhas sonoras autênticas, e aqui todos os gêneros têm relevância. Realizamos curadoria para streaming, desfiles e ativações, por exemplo, a música periférica pode sim fazer parte da identidade musical da sua marca, estando presente em ações específicas, campanhas publicitárias entre outras estratégias para chamar a atenção e gerar identificação com o público. Há diversas possibilidades quando se abre a mente para enxergar além da música, estamos ansiosos para transformar sua marca em melodias que inspiram e criam memórias.

Crédito foto de capa: Vincent Rosenblatt

Fontes: Meio e Mensagem | Meio e Mensagem | Meio e Mensagem | Rolling Stone | Forbes 

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