Em época de eleições, um som volta à nossa mente, o famoso “pilili” que ouvimos assim que terminamos a votação. Mas você sabia que esse som, assim como muitos outros, carrega uma história? A urna eletrônica não conta apenas com esse sinal sonoro, mas com todo um sistema de acessibilidade que utiliza o som como ferramenta. Continue a leitura para saber mais!
A origem do som da urna
Em 2026, o sinal sonoro da urna eletrônica completou 30 anos de existência, mas poucas pessoas sabem sobre a origem do som.
Segundo o engenheiro Antônio Esio Salgado, um dos desenvolvedores da primeira geração do equipamento, a criação do som respondeu a uma necessidade puramente prática. “Quando chegamos à fase final do modelo de produção, era preciso ter alguma sinalização para o mesário saber que o eleitor havia concluído o processo”, explica Antônio em vídeo publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no canal da Justiça Eleitoral.
Em 1996, os recursos computacionais eram restritos, não existiam dispositivos multimídia, o máximo que o computador fazia era emitir um “beep”, o que a equipe tentou fazer na urna eletrônica foi criar um “beep” diferenciado, eles avaliaram diversas opções sonoras apresentadas pelo fabricante e o impasse foi resolvido assim que o primeiro “pilili” foi ouvido, neste momentos todos se olharam e falaram “é esse!”.
Acessibilidade
A urna vai muito além de apenas contabilizar votos, ao longo dos anos novos recursos foram incorporados para atender às necessidades de diferentes eleitores e eleitoras, entre elas a inclusão de voz que orienta pessoas cegas e com baixa visão durante a votação, ampliando assim a autonomia dessas pessoas.
Para o eleitorado com deficiência visual é possível ter orientação para utilização do sistema de áudio da urna, com fone de ouvido descartável fornecido pela Justiça Eleitoral, além da identificação tátil da tecla 5, que desde os anos 2000, concede aos eleitores acesso a função que diz o cargo e o número da candidatura escolhida antes de confirmar o voto.
A voz Letícia
Foi em 2024 que a maior mudança referente à acessibilidade surgiu. Após uma sugestão da Organização Nacional de Cegos do Brasil, a tecnologia do sintetizador de voz instalado nas urnas em 2020, que informava o nome dos concorrentes ao pleito, foi alterada. Chamada de “Letícia”, a nova sintetização trouxe o toque mais humano que faltava à antiga, para melhorar a compreensão do eleitorado que faz uso do recurso.
A dona da voz “Letícia” é a cantora Sara Bentes, que nasceu com deficiência visual. O que traz mais dicção, naturalidade e clareza às instruções emitidas durante a votação.
A voz fornece instruções básicas para o início da votação e informa o cargo em disputa, além dos nomes e números das candidaturas escolhidas. Para isso, é utilizado um software livre que converte texto em fala e funciona como uma espécie de banco público de vozes. A ferramenta foi desenvolvida com a participação de programadores cegos.
Muito além da voz
O som apenas não basta, é preciso pensar em uma série de itens que vão auxiliar ainda mais sua função.
Dicção, naturalidade e clareza são essenciais quando falamos em acessibilidade, mas tom, ritmo e sotaque também. A voz humana possui benefícios que nenhuma outra voz pode trazer e, na hora de escolher qual será a voz da sua marca, isso deve ser levado em consideração.
Memória
Já se passaram 30 anos desde a escolha do som da urna eletrônica. A tecnologia evoluiu; a urna se tornou mais moderna. Seria então possível escolher novos sons, mas por que o TSE não optou pela mudança? A resposta é simples: memória.
Pesquisas mostram que o som fixa em nossa memória muito mais do que a imagem, somos capazes de lembrar sons que não ouvimos há anos. Mudar o som seria esperar mais um longo período de tempo para que cada pessoa fixasse aquele som na memória.
E não para por aí, em comemoração aos 30 anos do som, também foi criado um mascote chamado Pilili, o objetivo, segundo a Corte Eleitoral, é levar para uma linguagem mais próxima das novas gerações um equipamento que já faz parte da história das eleições brasileiras.

A Gomus também atua em projetos de acessibilidade e compreende de forma holística o uso do som. Vamos falar mais a seguir.
Levando a Tocha Paralímpica
Para as Paraolimpíadas de 2016, a Gomus foi a responsável por criar uma experiência sonora para que o público compreendesse como uma pessoa com deficiência visual percebe a vida. Além disso, as pessoas com deficiência visual poderiam sentir a emoção de carregar a Tocha Olímpica, símbolo tão importante da competição.
A experiência foi disponibilizada no canal do YouTube da competição e diversos elementos foram essenciais para que a imersão fosse completa, como o uso de áudio binaural (3D), técnica de gravação e produção sonora que simula a forma como o ouvido humano percebe o som no espaço tridimensional, além dos sons ambientes e da contextualização do local, que também são importantes para o resultado final da experiência.
Em um dos comentários do vídeo, o público compartilha como foi viver essa experiência. “Estou sem palavras. Fechar os olhos, escutar tudo e não ver nada. Quase chorei. Se eu já torcia muito para os atletas paralímpicos, agora eu torço mais que o dobro. É sempre com muita raça que eles colocam o Brasil em 1º nos Jogos Panamericanos. Tenho certeza que vai ter muita raça no Rio 2016.”
Dê o play e confira como é mergulhar na realidade de tantas pessoas.
Conte com a Gomus
A Gomus é uma agência de music branding com 20 anos de experiência com expertise em diversos projetos com foco em experiências exclusivas, construção de marca, música ambiente, entre outros.
Estamos ansiosos para mergulhar no universo da sua marca, levar igualdade e acessibilidade para todos.
Crédito Foto de Capa: Senado Eleitoral
Fontes:



