Arquitetura: a música como aliada na criação da atmosfera do ambiente

fev 23, 2026 | Tendências Sonoras

Desde a Grécia antiga, a relação música e arquitetura já existia, principalmente na hora de construir enormes teatros a céu aberto. Ao longo dos anos, essa relação parece ter sido esquecida, mas ela é mais importante do que nunca, principalmente quando estamos falando de arquitetura e decoração, um setor que vem crescendo cada vez mais. Continue a leitura e descubra como a música pode ser uma aliada na criação de atmosfera do ambiente.

A relação já é antiga

A relação música e arquitetura já é muito antiga, isso porque além de terem a matemática como denominador comum, elas também utilizam termos como tempo, espaço, ritmo, módulo, harmonia, escala, abertura, ornamento, contraponto, forma, simetria, composição, alguns deles com sentido próximo, mas aplicados a distintas propriedades associadas ao som e ao espaço e à forma. 

O teatro Epidauro, por exemplo, foi construído no ano 300 a.C. na Grécia, e é considerado o marco inicial e referencial da correlação entre espaço construído e som. Ele foi construído em uma colina que, juntamente com os obstáculos naturais que a circundam, proporcionam a difusão das ondas sonoras emitidas no palco, possível pela ausência de barreiras físicas e a geometria da encosta. Sua excepcionalidade garante que espetáculos e concertos sejam apresentados, até hoje, sem a necessidade de aparato eletrônico. 

Arquitetura a música como aliada na criação da atmosfera do ambiente
Crédito: GetYourGuide

Logo nos séculos XVII e XVIII surgiu o “teatro lírico italiano”, com a planta em “U”, que promovia a projeção do som de maneira unidirecional. Adotam-se cortinas e adornos em gesso, responsáveis pela absorção das reverberações mais longas e dos ecos, para melhorar o entendimento do texto. Com esse formato, apenas os ouvintes das extremidades laterais ficariam prejudicados. Esse modelo de teatro foi empregado nos séculos posteriores, com certeza você conhece vários teatros em formato “U”. 

O diálogo entre música e arquitetura se fez ao longo da história, de acordo com os avanços tecnológicos e as mudanças na concepção musical e arquitetônica, hoje não há uma preocupação tão grande da arquitetura com o som, como havia em séculos passados, mas não podemos esquecer que ela tem um papel especial na criação da atmosfera do ambiente. 

A arquitetura sonora

A chamada arquitetura sonora designa as propriedades de um espaço que podem ser experimentadas pela audição. Um arquiteto sonoro é alguém que seleciona atributos sonoros específicos para criar espaços que induzam sentimentos como euforia, tranquilidade contemplativa, excitação e muito mais.

A arquitetura é uma experiência inerentemente multissensorial que abrange todos os sentidos, e ela pode incluir elementos sonoros na mesma forma que inclui elementos visuais. Por exemplo, um espaço pode conter o barulho da água em uma fonte, pássaros cantando, e muito mais, é o que podemos chamar de embelezamento sonoro ativo, capaz de realçar as qualidades auditivas de um espaço arquitetônico. O espaço arquitetônico também pode ser uma experiência auditiva projetada e, portanto, pode incluir a adição de fontes sonoras que, quando atuando em conjunto com embelezamentos sonoros passivos, proporcionam experiências multissensoriais marcantes. 

É visto a importância de se preocupar, otimizar, ajustar e transformar espaços arquitetônicos para comunicar características visuais e sensoriais específicas. É importante analisar o impacto acústico no projeto e a conexão imediata entre a percepção sonora e a forma visual. Segundo Inae Cristyna, designer de interiores, especialistas em ambientes funcionais, estéticos e valorizados, o som é muito importante na hora de gerar conexão. “Eu levo em consideração a emoção ou a sensação que o som vai causar na pessoa. Geralmente busco sons que causam sensações como ânimo, alegria, calma, mas também gosto de usar sons conhecidos como “ASMR”, para passar a atmosfera daquele cômodo sendo utilizado pelas pessoas da casa.” 

“No projeto de decoração eu uso o som como complemento da experiência. Quando vou apresentar um projeto de alto padrão para os clientes, por exemplo, deixo uma música que remeta a essa característica, como música clássica, para que ele se imagine vivendo aquilo. Me inspiro em programas de decoração que sempre usam esse tipo de música na hora da entrega do projeto. A música não é uma distração, da mesma forma que incluímos itens decorativos e itens de cozinha na hora de apresentar o projeto, a música também ajuda a pessoa a sentir o aconchego no do lugar ou qualquer que seja a sensação que você queira passar, desde que bem pensada para não dar o sentimento oposto”, completa Inae.

E o ambiente corporativo 

Quando falamos em arquitetura, às vezes esquecemos o ambiente corporativo. O som pode ajudar a empresa a mostrar aos colaboradores qual atmosfera ela quer criar dentro do escritório, que atua juntamente com a decoração do ambiente. A Netflix, por exemplo, empresa de streaming de filmes e séries, abriu um novo escritório em São Paulo com decoração toda temática com produções da empresa.

Arquitetura a música como aliada na criação da atmosfera do ambiente
Crédito: BP Money

Logo na recepção já é possível ver uma “Mãozinha” de mais de dois metros de altura, fazendo referência a série Wandinha. Para que o escritório oferecesse uma experiência multissensorial, a melhor escolha seria incluir a trilha sonora dessa produção no ambiente. A Netflix possui um posicionamento descontraído, e isso também pode ser transmitido por meio do music branding nos escritórios, sinalizando para os colaboradores qual é a atmosfera que o local deve ter. 

Pesquisas mostraram que os funcionários não se concentram melhor com completo silêncio, mas com sons que diminuem a perturbação, ou seja, que mascaram sons normalmente comuns no ambiente de trabalho, como aparelhos, toques de telefone e pessoas conversando. Uma opção é incluir uma música ambiente no escritório, podendo assim diminuir estresse e aumentar a produtividade.

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Crédito foto de capa: yentl jacobs

Fontes: Veja

SILVA, Bruno Firmino Costa da; AMORIM, Luiz Manuel do Eirado. OUVINDO O ESPAÇO: das imbricadas relações entre arquitetura e música em 4’33”, de John Cage. Revista Projetar – Projeto e Percepção do Ambiente, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 120–132, 2022.

Banbury, S., & Berry, D. (2005). Office noise and employee concentration: Identifying causes of disruption and potential improvements. Ergonomics, 48(1), 25–37.

Fowler M. Sounds in space or space in sounds? Architecture as an auditory construct. Architectural Research Quarterly. 2015;19(1):61-72. doi:10.1017/S1359135515000226

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