Rock in Rio: como o festival mostrou que a identidade vai além do estilo sonoro

jun 12, 2026 | Tendências Sonoras

Em 1985 aconteceu a primeira edição do Rock in Rio, o evento foi idealizado pelo empresário Roberto Medina, ao longo dos anos observamos a evolução do festival que completou mais de 40 anos de história, mas uma coisa nunca mudou, o rock enraizado na identidade da marca e do festival. Continue a leitura e saiba mais! 

Quando tudo começou

Em 1985 o primeiro artista a se apresentar em um Rock in Rio foi Ney Matogrosso, mas a banda que marcou a edição foi com certeza o Queen. A Cidade do Rock foi construída em um terreno em Jacarepaguá e o festival durou dez dias e recebeu cerca de 1,4 milhões de pessoas. Bem diferente do festival que conhecemos hoje em dia.

Em 1991 a edição já foi realizada no Maracanã e Guns N’Roses estreou no Brasil no auge de sua carreira, nas próximas edições conferimos também outros nomes de peso do rock como atrações, sendo eles Bon Jovi, Iron Maiden, Foo Fighters, Titãs, Sepultura, Lobão e Capital Inicial  e muito mais. 

Em 2001, começamos a ver o pop tomando espaço no festival, com Britney Spears, em 2011 com Katy Perry, em 2013 com Beyoncé, em 2015 com Rihanna, até chegar em 2019, momento em que o festival se expande, passando a ter nove palcos e 250 atrações. 

A edição comemorativa de 40 anos 

Na edição comemorativa de 40 anos, que aconteceu em 2024, o festival acabou recebendo uma chuva de críticas, isso porque incluiu o “Dia Brasil”, um dia dedicado apenas a artistas nacionais e reunindo diferentes estilos musicais, entre eles o sertanejo, que nunca havia subido ao palco do festival. As opiniões dividem, entre críticas pela ausência de bandas de rock no line-up, mas também elogios por incentivar a música brasileira. 

A edição 2026

Em 2026, o festival decidiu retornar com dois dias dedicados apenas ao rock, reunindo artistas de diferentes gerações e vertentes para abrir a programação na Cidade do Rock. Nomes como Rage Against, The Hive, Nova Twins, mgk, Sepultura, Capital Inicial, unem nomes consagrados e novas apostas do gênero.

Mas por que exatamente o festival resolveu retomar os dias dedicados apenas ao rock? Vamos falar mais a seguir.

De volta às origens?

Todo festival não é feito apenas de line-up, mas sim de todos os símbolos que fazem parte do evento: nome, logo, cores, ícones, identidade sonora, produtos, marcas parceiras e muito mais. Ao contrário do Lollapalooza, que tem sua identidade fortemente ancorada na curadoria e descoberta de novos artistas, o Rock in Rio desde o início sempre teve sua identidade entrelaçada ao rock, que está presente até em seu nome.

Quando o festival decide se tornar mais plural e resolve incluir uma variedade maior de gêneros, modificando drasticamente apenas o line-up e fazendo pequenas mudanças em outros elementos da marca, como logotipo, identidade sonora, símbolos, produtos, se torna extremamente mais difícil fazer com que o público assimile essa mudança, que pode levar anos até que esse novo posicionamento seja de fato absorvido e aceito pelo público. Isso porque temos que contar com as expectativas do público como elemento essencial para criar a conexão e relacionamento com a marca, as noções pré-concebidas, memórias afetivas, contexto e informações absorvidas pelo público, molda a expectativa e consequentemente, a assimilação de mudanças.

Com o anúncio do retorno de dois dias do evento destinados exclusivamente ao rock, o festival mostrou que acabou acatando as críticas feitas pelo público, mas também sinalizou que não estava disposto a mudar completamente a identidade criada há mais de 40 anos.

É tudo sobre a mensagem

Em uma entrevista realizada pelo site O Globo, o ilustrador responsável pela primeira versão do logotipo do festival, Cid Castro, ressaltou que o festival nunca foi sobre o gênero rock, mas sim sobre a atitude rock. “As referências que tínhamos na época eram do Monterey Pop e do Woodstock, e mesmo esses não foram festivais exclusivamente de rock. Mas em todos eles, incluindo o nosso, havia uma atitude rock muito forte”, explica ele.

Crédito: CWB Live

A juventude presenciava o fim da ditadura militar e a primeira eleição civil com vitória de Tancredo Neves, o que conversava totalmente com o que o Brasil vivia naquela época, ter uma atitude rock está ligado a autenticidade, liberdade de expressão e rebeldia contra convenções sociais e sistemas opressores, talvez o erro do Rock in Rio tenha sido expressar a mensagem da maneira errada. Ao invés de falar sobre gêneros musicais, falar sobre atitude rock’n roll, podendo abraçar assim muito mais gêneros e pensamentos.

O Rock in Rio é uma construção diária, assim como sua marca

O Rock in Rio, o Lollapalooza e todos os outros festivais que conhecemos são uma construção diária, essas escolhas cotidianas nos dizem se os ingressos vão esgotar e se o público vai entender a mensagem que aquele evento quer transmitir. Quando falamos em marcas de diversos segmentos, isso também se aplica, não basta apenas investir em um logotipo visual ou em produtos, é necessário que toda a identidade da marca esteja alinhada a seus valores e propósito. Investir em um music branding é apenas uma das estratégias para que sua marca se posicione na mente dos consumidores, há uma série de elementos que atuam como complemento para transmitir a mensagem.

Se você, assim como o Rock in Rio, vê o poder da música para transmitir ideias e atitudes de marca, é hora de olhar para a sua  identidade sonora e torná-la forte e memorável com ajuda do music branding. Para isso conte com a equipe da Gomus!

Crédito foto de capa: Ingresso.com 

Fontes: O Globo | Billboard | Gshow | Exame | Exame 

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